Quem matou Odete Roitman?
Nada como um misterioso assassinato para elevar a audiência de uma novela. E assim fizeram Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, autores da novela Vale Tudo, exibida entre 1988 e 1989, no horário nobre das telenovelas (às oitos).
O enredo era composto por um grande número de personagens compondo a vilania, que, aliás, é uma especialidade de Gilberto Braga. A manipuladora e empresária poderosa Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall, foi assassinada com três tiros a queima-roupa já nos últimos capítulos. O mistério durou pouco, mas teve grande repercussão, não só na novela, mas também no mundo da publicidade.
A Maggi, fabricante do caldo nobre de galinha azul (sucesso no fim dos anos 80) promoveu um concurso para premiar quem descobrisse o assassino de Odete Roitman. O vencedor faturou cinco milhões de cruzados, o equivalente a mais de seis mil dólares.
A personagem de Beatriz Segall, apesar de ser uma das vilãs, conquistou grande popularidade. Depois que foi assassinada na trama, uma agência de publicidade criou uma campanha para uma empresa de seguros, na qual, sobre a foto da atriz, lia-se a frase: “Nunca se sabe o dia de amanhã. Faça seguro”.
Em 6 de janeiro de 1989, O Brasil parou para assistir ao último capítulo de Vale Tudo, e, enfim conhecer quem matou Odete Roitman. Para manter o suspense, os autores escreveram cinco finais diferentes, e gravaram todos. Somente a poucas horas da exibição foi decidido quem seria o grande assassino.
Assassino, não. Assassina!
O crime fictício mais famoso do Brasil (até então) foi, na verdade, um engano. Na tentativa de flagrar seu marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria) com a amante Maria de Fátima (Glória Pires), Leila (Cássia Kiss) disparou os tiros contra uma vidraça que refletia a sombra de seu marido com a “outra”. Engano... os três tiros atingiram Odete Roitman e renderam 86 pontos de audiência (segundo o Ibope), no último capítulo.
A novela Vale Tudo trazia vários temas polêmicos que fizeram os telespectadores se perguntarem se vale a pena ser honesto no Brasil.
De todos os vilãos, somente Odete Roitman se deu mal.
Maria de Fátima, em mais uma de suas tramóias, casou-se com um príncipe italiano. Marco Aurélio e Leila fugiram do país, impunes, após executarem um grande golpe.
E, para fechar com “chave de ouro”, Vale Tudo teve ainda uma cena antológica na história das telenovelas brasileiras: na fuga de Marco Aurélio e Leila, quando ambos estavam embarcando no avião, o vilão deu uma banana para as câmeras e para o Brasil.
E novamente o povo se perguntou: “Vale a pena ser honesto no Brasil?”
Como o próprio nome da trama sugere, no país dos tupiniquins VALE TUDO.
Escrito por novelite aguda às 13h09
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